anna (go to him)'s entries
É muito triste os instrumentos abafados por causa desses sintéticos (que a Taylor insiste em colocar em todos os seus álbuns depois do 1989), e que não funcionam aqui. As músicas acabam soando datadas, recicladas e repetitivas.
Liricamente, algumas faixas são lindas, e outras que… só Jesus na causa. Vai saber o que se passava na mente dela quando decidiu escrever “like a tatooed golden retriever”, um verdadeiro sorteio de palavras, um horror. Isso fora a repetição irritante do mundo dos poemas e seus autores. Sim, eu entendi a metáfora, agora dá para parar de adicionar cada vez mais palavras difíceis que você usou — porcamente, aliás — para endossar essa persona de poeta?
Enfim, esse álbum tinha muito potencial, mas parece que Swift adora se autossabotar. Para definí-la, eu gosto muito da seguinte fala de Ariano Suassuna ao descrever Shakespeare: “Apesar de ser genial, seus poemas sofrem de um extremo mau gosto”. É exatamente o que eu penso da Taylor e sua discografia. Apesar dela ser genial, sofre de um extremo mau gosto. Uma pena.
Obs: Eu genuinamente não entendo esse fenômeno que a Taylor vem adotando de deixar as piores faixas na versão standard e as melhores na versão deluxe… o The Anthology, analisando as faixas deluxe isoladas, dá uma surra feia no TTPD standard. Fenômeno antes visto no Midnights, que leva uma surra do Midnights (3am Edition).
Liricamente, algumas faixas são lindas, e outras que… só Jesus na causa. Vai saber o que se passava na mente dela quando decidiu escrever “like a tatooed golden retriever”, um verdadeiro sorteio de palavras, um horror. Isso fora a repetição irritante do mundo dos poemas e seus autores. Sim, eu entendi a metáfora, agora dá para parar de adicionar cada vez mais palavras difíceis que você usou — porcamente, aliás — para endossar essa persona de poeta?
Enfim, esse álbum tinha muito potencial, mas parece que Swift adora se autossabotar. Para definí-la, eu gosto muito da seguinte fala de Ariano Suassuna ao descrever Shakespeare: “Apesar de ser genial, seus poemas sofrem de um extremo mau gosto”. É exatamente o que eu penso da Taylor e sua discografia. Apesar dela ser genial, sofre de um extremo mau gosto. Uma pena.
Obs: Eu genuinamente não entendo esse fenômeno que a Taylor vem adotando de deixar as piores faixas na versão standard e as melhores na versão deluxe… o The Anthology, analisando as faixas deluxe isoladas, dá uma surra feia no TTPD standard. Fenômeno antes visto no Midnights, que leva uma surra do Midnights (3am Edition).
Cry Baby é um álbum com uma identidade artística muito bem definida, mas que nem sempre consegue transformar essa identidade em músicas igualmente interessantes.
Melanie Martinez constrói um universo infantil, colorido e propositalmente perturbador, utilizando brinquedos, contos de fadas e referências à infância para falar sobre relacionamentos, insegurança, sexualidade, padrões de beleza e violência. O conceito é forte e extremamente reconhecível, mas, em diversos momentos, a estética promete mais profundidade do que a composição realmente entrega.
A produção é, sem dúvida, o maior destaque do álbum. Os instrumentais infantis, os sons de brinquedos e as melodias delicadas contrastam com temas cada vez mais “adultos”, criando uma atmosfera muito própria, mas que cobra seu preço ao soar extremamente repetitiva ao longo do disco, além de um pouco datada.
Soap, Carousel e Sippy Cup são exemplos particularmente bons de como essa estética pode funcionar a favor das músicas, enriquecendo-as em vez de simplesmente servir como base para toda a construção delas. Carousel, especialmente, me parece muito mais interessante do que Dollhouse: existe uma sensação de repetição e aprisionamento que está incorporada à própria música, tornando o conceito mais orgânico.
E esse é o meu maior problema com Cry Baby: Melanie encontra uma metáfora interessante e parece ter medo de abandoná-la. Então ela repete, repete e repete até uma ideia que poderia ser ótima começar a parecer um conceito de trabalho escolar que precisava atingir o número mínimo de linhas. Essa artificialidade surge porque algumas letras parecem mais preocupadas em reforçar a persona de Cry Baby do que em desenvolver aquilo que estão dizendo.
Dollhouse, por exemplo, é provavelmente uma das músicas mais emblemáticas, mas acho que sua reputação é maior do que sua qualidade musical. A ideia de uma família perfeita por fora e completamente disfuncional por dentro é boa, mas a execução é relativamente simples.
Essa mesma armadilha fica evidente no bloco central do álbum, com Tag, You’re It e Milk and Cookies. A tentativa de usar dinâmicas infantis (um sequestro com sorvete e uma vingança com biscoitos) para abordar temas pesados como estupro e violência acaba soando forçada. Em vez de criar um mistério perturbador, a repetição literal das metáforas esvazia o impacto dramático da história.
Mad Hatter sofre de um problema semelhante: a tentativa de transmitir excentricidade acaba sendo tão explícita que a música perde o impacto. Ela quer parecer caótica e estranha o tempo inteiro. É uma faixa tão desesperada para provar que é excêntrica que acaba sendo menos interessante justamente por isso. É quase o equivalente musical de alguém entrar numa sala gritando “OLHEM COMO EU SOU LOUCO”.
Por outro lado, quando Melanie abandona um pouco essa necessidade de provar o conceito, o álbum fica muito mais interessante. Soap, como dito antes, é provavelmente o melhor exemplo disso. A metáfora é simples, mas funciona porque não parece estar ali apenas para reforçar a história de Cry Baby. A produção, a melodia e a letra conseguem criar uma música que funciona mesmo se você arrancar todo o conceito infantil ao redor dela. Training Wheels também possui uma vulnerabilidade interessante, embora seja prejudicada pela repetição excessiva de linhas. Pity Party, apesar de não ser particularmente profunda, é extremamente eficiente como música pop e utiliza sua referência a It’s My Party de maneira inteligente.
Ainda assim, para um álbum de estreia, Melanie já sabia exatamente qual universo queria construir e como queria ser percebida. Existe uma coesão visual, temática e sonora muito forte, e isso faz com que o disco seja imediatamente reconhecível, mas sua composição e sua produção nem sempre estão à altura de sua estética.
Melanie Martinez constrói um universo infantil, colorido e propositalmente perturbador, utilizando brinquedos, contos de fadas e referências à infância para falar sobre relacionamentos, insegurança, sexualidade, padrões de beleza e violência. O conceito é forte e extremamente reconhecível, mas, em diversos momentos, a estética promete mais profundidade do que a composição realmente entrega.
A produção é, sem dúvida, o maior destaque do álbum. Os instrumentais infantis, os sons de brinquedos e as melodias delicadas contrastam com temas cada vez mais “adultos”, criando uma atmosfera muito própria, mas que cobra seu preço ao soar extremamente repetitiva ao longo do disco, além de um pouco datada.
Soap, Carousel e Sippy Cup são exemplos particularmente bons de como essa estética pode funcionar a favor das músicas, enriquecendo-as em vez de simplesmente servir como base para toda a construção delas. Carousel, especialmente, me parece muito mais interessante do que Dollhouse: existe uma sensação de repetição e aprisionamento que está incorporada à própria música, tornando o conceito mais orgânico.
E esse é o meu maior problema com Cry Baby: Melanie encontra uma metáfora interessante e parece ter medo de abandoná-la. Então ela repete, repete e repete até uma ideia que poderia ser ótima começar a parecer um conceito de trabalho escolar que precisava atingir o número mínimo de linhas. Essa artificialidade surge porque algumas letras parecem mais preocupadas em reforçar a persona de Cry Baby do que em desenvolver aquilo que estão dizendo.
Dollhouse, por exemplo, é provavelmente uma das músicas mais emblemáticas, mas acho que sua reputação é maior do que sua qualidade musical. A ideia de uma família perfeita por fora e completamente disfuncional por dentro é boa, mas a execução é relativamente simples.
Essa mesma armadilha fica evidente no bloco central do álbum, com Tag, You’re It e Milk and Cookies. A tentativa de usar dinâmicas infantis (um sequestro com sorvete e uma vingança com biscoitos) para abordar temas pesados como estupro e violência acaba soando forçada. Em vez de criar um mistério perturbador, a repetição literal das metáforas esvazia o impacto dramático da história.
Mad Hatter sofre de um problema semelhante: a tentativa de transmitir excentricidade acaba sendo tão explícita que a música perde o impacto. Ela quer parecer caótica e estranha o tempo inteiro. É uma faixa tão desesperada para provar que é excêntrica que acaba sendo menos interessante justamente por isso. É quase o equivalente musical de alguém entrar numa sala gritando “OLHEM COMO EU SOU LOUCO”.
Por outro lado, quando Melanie abandona um pouco essa necessidade de provar o conceito, o álbum fica muito mais interessante. Soap, como dito antes, é provavelmente o melhor exemplo disso. A metáfora é simples, mas funciona porque não parece estar ali apenas para reforçar a história de Cry Baby. A produção, a melodia e a letra conseguem criar uma música que funciona mesmo se você arrancar todo o conceito infantil ao redor dela. Training Wheels também possui uma vulnerabilidade interessante, embora seja prejudicada pela repetição excessiva de linhas. Pity Party, apesar de não ser particularmente profunda, é extremamente eficiente como música pop e utiliza sua referência a It’s My Party de maneira inteligente.
Ainda assim, para um álbum de estreia, Melanie já sabia exatamente qual universo queria construir e como queria ser percebida. Existe uma coesão visual, temática e sonora muito forte, e isso faz com que o disco seja imediatamente reconhecível, mas sua composição e sua produção nem sempre estão à altura de sua estética.
O álbum é muito bom para um debut, mas ainda há alguns detalhes a serem ajustados, principalmente na composição, que não é tão profunda quanto a estética sugere. A falta de linhas realmente interessantes é muitas vezes compensada pela repetição, fazendo com que algumas ideias pareçam mais desenvolvidas pela estética do que pela própria escrita.
A voz da Addison também é algo a se notar: não é imponente, mas tímida, e muitas vezes se esconde no instrumental, tornando a produção — um dos grandes destaques do disco — mais interessante do que sua própria voz.
Gosto das referências que ela traz aqui, mas talvez o álbum seja derivativo demais. Addison demonstra um ótimo gosto para referências, mas ainda não consegue transformá-las completamente em uma linguagem própria; em muitos momentos, ela apenas bebe diretamente da fonte.
A voz da Addison também é algo a se notar: não é imponente, mas tímida, e muitas vezes se esconde no instrumental, tornando a produção — um dos grandes destaques do disco — mais interessante do que sua própria voz.
Gosto das referências que ela traz aqui, mas talvez o álbum seja derivativo demais. Addison demonstra um ótimo gosto para referências, mas ainda não consegue transformá-las completamente em uma linguagem própria; em muitos momentos, ela apenas bebe diretamente da fonte.
Álbum lindo demais, cheio de referências e misturas musicais. A habilidade que Black Alien tem para contar histórias é louvável, principalmente para sua época. Gosto muito de como ele e seu produtor, Alexandre Basa, abraçam a criatividade e as ideias neste disco — um tanto quanto experimental e provocativo, com uma escrita extremamente inventiva. Um álbum à frente de seu tempo.
Álbum chocante de bom. Emocionei-me várias vezes enquanto escutava as faixas, a noção lírica e compositiva que Sufjan carrega consigo é algo fora da curva. As inúmeras referências ao estado de Oregan, à bíblia e aos mitos greco-romanos, conseguindo conectar tudo isso às suas próprias experiências depressivas? Absurdo.
Álbum super coeso, um folk muito agradável de se escutar. As composições são belíssimas e é preciso dar uma atenção especial a elas pois elas moldam a experiência do disco. A voz da Joni é cheia de técnica e personalidade e é muito bom escutar os instrumentos ornando perfeitamente com sua voz e o conjunto da obra.
Rubber Soul é um álbum divertido e autêntico, contando com músicas liricamente lindas e bem produzidas.




















